O mito do “Efeito Sanfona”

Usados no tratamento da obesidade, os inibidores de apetite (ou anorexígenos) já causaram – e ainda causam – muita polêmica no Brasil.

Polêmica sobre a sibutramina

A Agência defende que há pouca evidência científica sobre a real eficácia destes remédios e que os severos efeitos colaterais superam os benefícios. O órgão afirma que os inibidores de apetite aumentam o risco de hipertensão pulmonar e arterial e distúrbios psiquiátricos.

Na época da decisão, o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, afirmou que a venda dos anorexígenos no Brasil era abusiva, muito alta e só crescente.

Por outro lado, muitos especialistas da área da saúde condenaram a decisão, alegando que, em muitos casos, o medicamento é a única alternativa para o tratamento da obesidade (por exemplo, para pacientes que não têm condições financeiras de pagar por uma cirurgia bariátrica) e criticam a Anvisa por tirar a autonomia do médico na hora de escolher o tratamento mais adequado em cada caso.

Outro argumento utilizado a favor da liberação dos medicamentos é o de que, com a restrição, muitas pessoas estão buscando o produto no comércio ilegal e utilizando-o sem orientação médica. Além disso, a busca por tratamentos mais invasivos e perigosos, como a cirurgia bariátrica, aumentou.

Enquanto Anvisa diz que inibidores de apetite causam mais riscos do que benefícios, especialistas defendem que cada caso deve ser analisado individualmente (Crédito: Thinkstock)

A favor dos inibidores

A endocrinologista Andressa Heimbecher, especializada em emagrecimento e transtornos alimentares, faz parte do time dos defensores da liberação. Segundo ela, com o uso correto, muitos pacientes podem se beneficiar dos inibidores de apetite. “O problema está no uso indiscriminado e nas doses muitas vezes excessivas”, comenta. “Alguns anorexígenos têm realmente sérios efeitos colaterais e por isso foram proibidos. Para que o benefício seja maior do que os efeitos adversos, é preciso usar essa medicação com consciência e sempre com orientação médica”, alerta.

Segundo explica a especialista, a sibutramina atua no sistema nervoso central, bloqueando a recaptação dos neurotransmissores norepinefrina e serotonina, que são responsáveis pela sensação de prazer ao comer. Isso faz com que o paciente ingira menos alimentos. Além disso, a substância atua como um termogênico, estimulando a geração de calor no tecido adiposo e aumentando o gasto calórico.

Sibutramina causa efeito sanfona?

Uma das maiores preocupações de quem utiliza inibidores de apetite é quanto à recuperação do peso após o tratamento. É muito grande o número de pacientes que relataram ter engordado até o dobro de peso perdido durante a terapia depois de terem parado de ingerir o medicamento, o que levou muitos especialistas a desaconselharem o uso da sibutramina em casos não extremos – ou seja, aqueles em que o paciente consegue emagrecer somente com reeducação alimentar e exercícios físicos.

Porém, Dra. Andressa defende que, quando bem administrada, a sibutramina não leva à recuperação do peso. “Anorexígenos não causam efeito sanfona. O que acontece é que, durante o tratamento, o paciente acaba ingerindo menos calorias, porque sente menos fome. Quando ele para de tomar o remédio, passa a ingerir mais, engordando. Porém, com um programa eficaz de reeducação alimentar e exercícios físicos regulares, não existe essa possibilidade”, garante.

Sibutramina vicia?

Muitos pacientes não se alimentam devidamente sob o efeito dos inibidores, deixando de ingerir os nutrientes diários necessários e comprometendo a saúde e o emagrecimento a longo prazo (Crédito: Thinkstock)

De acordo com a endocrinologista, sim. “A substância eleva os níveis de serotonina e noradrenalina, e, para algumas pessoas, isso causa efeito de euforia, muitas vezes levando à dependência”, alerta. “Por isso o acompanhamento médico é tão importante”, completa.

Fonte: https://www.vix.com/pt/bdm/saude-mulher/medica-defende-o-uso-de-inibidores-de-apetite-e-afirma-que-remedio-nao-causa-efeito-sanfona