Obesidade é uma das enfermidades mais prevalentes na atualidade

Mais da metade da população brasileira está acima do peso, sendo que 26% dos adultos são obesos. Chama a atenção o aumento do índice de obesos entre os jovens de 18 a 24 anos, acima de 8,5%. A grande preocupação fica pelo risco aumentado de doenças crônicas. E estas são mais comuns e mais graves à medida que o peso sobe.

Consequência disso é o fato que hoje temos indivíduos de 15 a 20 anos de idade em uso de medicações para hipertensão, diabetes e colesterol alto. Além do prejuízo à saúde, a obesidade vai ocasionar uma diminuição da vida útil e da capacidade de trabalho, bem como a limitação nas tarefas corriqueiras e a discriminação sofrida no dia a dia.

A etiologia dessa doença é multifatorial, muito mais do que simplesmente comer bastante e não fazer atividade física. Existe uma interação genética e epigenética (fatores adquiridos) causando uma disfunção nutroneurometabólica. Podemos dizer que nem todos os obesos comem muito e nem todos os magros comem pouco.

Considerada uma doença crônica, isto é, perdura por toda a vida, como qualquer outra doença crônica a obesidade deve ser tratada, ou pelo menos acompanhada, pelo resto da vida. O emagrecimento não significa cura da obesidade, mas sim que a doença está em remissão, podendo retornar se cessado o tratamento.

Dieta e atividade física são importantes na terapia, porém, quando usadas isoladamente, não têm sido efetivas para diminuir a prevalência da obesidade na população mundial.

Excetuando-se uma pequena parcela dos casos onde existe uma causa primária que, quando revertida, pode induzir a redução do peso, o único meio para conseguir o emagrecimento desejado é a redução das calorias ingeridas.

O grande problema que enfrentamos nesse tratamento é que a obesidade é uma enfermidade com adaptação biológica. Isso quer dizer que a perda de peso induzida por uma dieta hipocalórica está associada a uma redução quantitativa significativa no gasto energético. E quanto maior a restrição, maior a adaptação. Corrobora com tal afirmação a queixa comum em consultório da dificuldade cada vez maior de emagrecer com a dieta.

Tudo isso torna a terapia da obesidade difícil e complexa, dependente tanto da efetividade do recurso utilizado bem como do engajamento do paciente. Soma-se então a demora para alcançar o resultado esperado, o esforço necessário e o dispêndio financeiro muitas vezes levando à desistência do tratamento ou a busca por alternativas ilusórias e especulativas.

Devemos basear a terapia da obesidade na pirâmide de tratamento das doenças crônicas. Assim, a base é a dieta, independente de suas restrições e particularidades, que deve ser seguida para o sucesso no tratamento. Logo acima na pirâmide estão as terapias medicamentosas. Estas contemplam melhorar a saciedade e tratar fatores que possam estar associados ao aumento da ingestão de calorias ou alguma alteração no metabolismo. Dependem bastante do empenho dos pacientes e do efeito pleno da medicação.

A alta expectativa com a eficiência e rapidez da perda de peso sustentada, junto com a necessidade de manutenção a longo prazo estão relacionados com um índice pouco satisfatório de sucesso do tratamento clínico isolado. No entanto, qualquer perda de peso maior que 5% deve ser considerada como benéfica para a redução dos problemas de saúde correlacionados.

A eficácia do tratamento clínico pode ser elevada com procedimentos ambulatoriais associados. Realizados em consultório, aceleram a percepção do resultado, sendo uma alternativa interessante e de baixa invasividade com elevado grau de satisfação.

Como alternativa à falência do tratamento clínico ou na necessidade de eliminação de grande percentual da massa gorda estão os tratamentos invasivos. Isto não significa que a perda de peso será fácil nem definitiva para todos. Mas é sabido que quanto maior a intervenção médica, mais significativo e mais rápido o emagrecimento. Entre as alternativas invasivas estão o balão intragástrico, a gastroplastia vertical e a gastroplastia com desvio gastrointestinal.

O balão intragástrico é um procedimento no qual um dispositivo é posicionado dentro do estômago por meio de endoscopia digestiva alta. Este vai preencher parcialmente a cavidade gástrica, ocasionando uma saciedade mais precoce e duradoura com diminuição da quantidade de alimentos ingeridos. No entanto, este método é temporário, com retirada do balão em 6 meses ou 1 ano dependendo do tipo de dispositivo colocado.

A gastroplastia vertical, também conhecida como gastroplastia tipo sleeve, é um procedimento cirúrgico realizado por videolaparoscopia, em que parte do estômago é seccionado e retirado da cavidade reduzindo bastante a capacidade de armazenamento. Trata-se de um método puramente restritivo, conseguindo atingir uma perda média de 30% do peso. Tem um seguimento mais tranquilo do que a gastroplastia convencional por não ocasionar disabsorção.

A gastroplastia com derivação intestinal, conhecida como cirurgia bariátrica ou gastroplastia convencional, associa a redução cirúrgica do estômago com um desvio do intestino gerando além da restrição gástrica uma disabsorção dos alimentos. Também executada por videolaparoscopia, tem como objetivo uma perda maior que a gastroplastia vertical também sendo efetiva para facilitar ou suspender o tratamento das doenças associadas à obesidade.

Devido ao grande apelo à estética nos dias atuais, muitos tratamentos adjuvantes são solicitados pelos pacientes concomitantemente ou após o emagrecimento visando o tratamento da flacidez, estrias, celulite e gordura localizada. Inúmeras técnicas estão disponíveis e podem ser empregadas conforme necessidade e expectativa do paciente. O tratamento habitual combinado com essas técnicas tendem a apresentar resultados mais satisfatórios tanto no aspecto da quantidade de peso eliminada como no aspecto estético corporal e facial resultantes.

A consciência da obesidade como problema de saúde pública e as políticas até então instituídas não tem restringido o crescimento da obesidade no Brasil e no mundo. Assim, a melhor resolutividade e eficiência do tratamento dependem de uma procura mais precoce pelo auxílio médico especializado com terapias combinadas.

Fonte: https://www.diariodosudoeste.com.br/noticia/obesidade-e-uma-das-enfermidades-mais-prevalentes-na-atualidade