Os produtos anorexígenos anfepramona, femproporex, mazindol e sibutramina, atualmente, são os únicos medicamentos com indicação específica para a perda e controle de peso. Seu uso e comercialização são cercados de vários mitos e muitas verdades, alguns destacados a seguir.

Obesidade eleva os riscos de arritmia cardíaca em homens e mulheres

Tanto homens quanto mulheres com sobrepeso ou obesidade podem ter mais chances de desenvolver fibrilação atrial, uma arritmia cardíaca na qual o ritmo dos batimentos cardíacos torna-se mais rápido e irregular.

O estudo Sex Differences in the Impact of Body Mass Index on the Risk of Future Atrial Fibrillation: Insights From the Longitudinal Population‐Based Tromsø Study, publicado no Journal of the American Heart Association, constatou que o risco é ainda maior entre os homens. A boa notícia é que já a partir de uma pequena redução de peso, o risco diminui, e segue reduzindo gradativamente à medida que o IMC se aproxima do peso adequado.

De acordo com a autora principal do estudo, Dra. Jocasta Ball, do Instituto Baker Heart and Diabetes, em Melbourne, Austrália, não são apenas o excesso de peso ou a obesidade que afetam a estrutura do coração, tornando-o mais suscetível ao desenvolvimento da fibrilação atrial. Outros fatores de risco podem participar, como por exemplo a pressão alta.

A fibrilação atrial e o coração

A fibrilação atrial é o distúrbio do ritmo cardíaco mais comum, afetando cerca de 2 a 3% da população mundial, revelaram os pesquisadores no estudo. Nesta condição, os átrios do coração deixam de se contrair em um ritmo sincronizado, comprometendo a circulação sanguínea.

O diagnóstico do problema é mais frequente após os 50 anos de idade, e vem aumentando ao redor do mundo, assim como o excesso de peso e a obesidade entre a população.

O estudo norueguês

Os pesquisadores examinaram dados de 24.799 adultos na Noruega, que foram acompanhados por cerca de 16 anos para verificar o impacto das alterações de peso ao longo dos anos na chance de desenvolver fibrilação atrial. A idade média dos participantes no início do estudo era de 45,5 anos, sendo 52,9% mulheres. A maioria deles começou com um peso saudável, com base em seu índice de massa corporal (IMC).

Foram identificadas diferenças entre os gêneros no risco de desenvolvimento de fibrilação atrial, com associações mais fortes nos homens do que nas mulheres.

Para as mulheres, o padrão foi semelhante ao dos homens em pesos mais baixos. Mas nas participantes com IMC mais alto, a associação entre obesidade e fibrilação atrial não foi tão forte quanto nos homens.

IMC e o risco de fibrilação atrial

Ao final do acompanhamento, 811 mulheres (6,2%) e 918 homens (7,9%) desenvolveram fibrilação atrial. Tanto nos homens quanto nas mulheres, menores IMC reduziram o risco de fibrilação atrial e maiores IMC aumentaram.

A redução do  IMC ao longo do tempo foi associada a uma diminuição do risco de fibrilação atrial futuro, assim como o aumento no IMC repercutiu em crescimento do risco.

Com o IMC 18, ou seja, indivíduos abaixo do peso normal, houve 25% menos propensão à fibrilação atrial do que nos homens com IMC 23. Homens com IMC 20 eram 14% menos propensos a desenvolver fibrilação atrial do que os homens com IMC 23.

As mulheres com IMC 18 eram 18% menos propensas a desenvolver fibrilação atrial do que as mulheres com IMC 23. Já nas mulheres com um IMC 20, o risco foi 11% menor.

Na outra ponta, homens com obesidade graus II e III tiveram acima de quatro vezes mais chances de desenvolver fibrilação atrial do que os homens com peso saudável, revelou o estudo. Em contraste, mulheres com os mesmos níveis de obesidade apresentaram quase o dobro do risco de desenvolver fibrilação atrial comparadas às que mantinham o peso saudável.

Mesmo dentro dos níveis considerados normais, um IMC maior estava associado a um risco maior de fibrilação atrial. Por exemplo, em comparação com um IMC 23, que está dentro da faixa de peso saudável, homens com IMC 25, levemente acima do peso, apresentaram 14% mais chances de desenvolver fibrilação atrial.

Conclusão

O estudo não teve o objetivo de provar se a obesidade causa ou não a fibrilação atrial, pois esta relação já está bem estabelecida. O intuito era verificar as diferenças específicas de gênero na influência do IMC na incidência de fibrilação atrial.

Para o paciente, reconhecer o sobrepeso ou a obesidade, e saber que o seu risco de desenvolvimento de fibrilação atrial está aumentado, mas que mesmo pequenas reduções no IMC podem reduzir esse risco, será um grande incentivo na luta contra a balança.

Os resultados serão importantes para a elaboração de estratégias preventivas específicas para homens e para mulheres, bem como para a promoção de políticas públicas. Mesmo reduções modestas no IMC podem ter um efeito significativo na saúde da população com relação à fibrilação atrial.

A obesidade é uma doença e o uso de medicamentos é necessário em alguns casos

Desde 1980, a Organização Mundial da Saúde (OMS) inclui a obesidade no Código Internacional de Doenças (CID) e a aponta como um dos maiores problemas de saúde pública do mundo.

Qualquer pessoa que está acima do peso precisa tomar medicação para emagrecer

Nem todas as pessoas que estão acima do peso precisam tomar medicação para emagrecer. Somente o médico especialista pode dizer o que é melhor para o paciente, sempre a partir de um exame clínico e laboratorial. Um fator para a recomendação da medicação está relacionado ao IMC do paciente (Índice de Massa Corpórea, resultando da divisão do peso pela altura do paciente ao quadrado): recomenda-se medicação quando for maior que 30,0 kg/m² ou superior a 25,0 kg/m² se associado a doenças relacionadas à obesidade (como hipertensão, diabetes mellitus tipo 2 e dislipidemia). IMC acima de 25,0 kg/m² para mulheres e 26,0 kg/m² para homens, com ou sem associação a outras doenças, já indicam propensão à obesidade.

Nem sempre dieta e atividade física fazem emagrecer o necessário

Por isso, após exames clínicos e laboratoriais, o médico pode optar por utilizar medicamentos anorexígenos para complementar o tratamento. Além disso, muitos pacientes não podem praticar exercícios, por exemplo, já que a obesidade, pode limitar movimentos e causar outras doenças que restringem os exercícios.

Qualquer pessoa obesa pode tomar um anorexígeno

Nem todos os obesos podem ou devem fazer uso de anorexígenos. No Brasil, os anorexígenos são indicados para o tratamento da obesidade em pacientes que não tiveram bons resultados apenas com dieta, exercícios, aumento da atividade física ou modificações comportamentais.  Somente o médico especialista pode dizer o que é melhor para o paciente, sempre a partir de um exame clínico e laboratorial.

Anorexígenos reduzem a fome

Os anorexígenos são medicamentos que controlam o apetite, contribuindo assim para o emagrecimento de pacientes obesos que não conseguem reduzir seu peso por outras formas, como dietas e exercícios.  São produtos que atuam no sistema nervoso central (SNC, no termo médico), que é o responsável pela emissão de sinais para o corpo: ao manifestar saciedade, os pacientes ingerem menos alimentos e o corpo todo entra em processo de utilização das calorias das próprias gordura para alimentar o metabolismo. Os anorexígenos mais utilizados no Brasil são a anfepramona, o femproporex, o mazindol e a sibutramina.

Anorexígenos causam dependência

Anorexígenos não causam dependência desde que usados de acordo com orientação médica. Os produtos como anfepramona, femproporex, mazindol e sibutramina são recomendados quando o paciente não consegue controlar o seu apetite de outras formas e exames clínicos e laboratoriais indicaram que ele está apto à medicação.

Anorexígenos causam efeitos colaterais

Antes de mais nada, é importante saber que todo medicamento pode causar efeitos colaterais pelo simples fato de um indivíduo não ser igual a outro e, em caso de uso prolongado, o medicamento nem fazer mais o efeito esperado. Isso ocorre até mesmo com produtos simples, à venda sem receita médica, como um analgésico. Quanto maior o tempo do medicamento no mercado, mais são conhecidos os possíveis efeitos colaterais. Assim, como os anorexígenos existem há mais de 50 anos, podemos dizer que praticamente todos os potenciais efeitos colaterais são de conhecimentos dos médicos especialistas, os únicos aptos a prescrever esses produtos.

Anorexígenos estão proibidos no Brasil

Os anorexígenos têm produção, comercialização e consumo liberados segundo uma lei editada pelo Senado Federal do Brasil (Lei 13454/2017). Esta lei se encontra em processo de aprovação final pelo presidente Michel Temer. Apesar disso, a Anvisa, no momento, possui algumas argumentações contrárias à comercialização desses medicamentos, trazendo dúvidas à população.

Anorexígenos são os únicos medicamentos voltados especificamente para o emagrecimento

Apesar de muitos outros medicamentos serem receitados como emagrecedores, apenas anfepramona, femproporex, mazindol e sibutramina são medicamentos com indicação específica para perda ou controle de peso que possuem eficácia comprovada em mais de 50 anos de uso por pacientes obesos. Outros tipos de medicação são utilizadas contando que efeitos colaterais ajudem o paciente a emagrecer, mas sem resultados comprovados na eficácia.

Posso comprar anorexígenos pela internet e sem receita médica

Mesmo que o site seja conhecido e confiável, a venda de medicamentos que exigem receita só pode ser feita diretamente no estabelecimento e com a apresentação e retenção dessa receita. É o caso de anorexígenos. Medicamentos para qualquer finalidade oferecidos pela internet livremente nem sempre possuem origem comprovada e sua composição pode ser duvidosa. Vale lembrar que somente o médico especialista tem condições de indicar medicações a partir de uma análise detalhada do paciente. A ingestão de produtos sem essa análise pode causar sérios danos à saúde do usuário, muitas vezes irreversíveis.